Taurus quer ser a maior do mundo

Salesio Nuhs assumiu a presidência global da Taurus Armas em janeiro de 2018 e afirma que seu objetivo pessoal é tornar a Taurus a maior fabricante de armas leves do mundo

Salesio Nuhs assumiu a presidência global da Taurus Armas em janeiro de 2018 com a missão de arrumar a casa. A companhia estava super endividada e com a qualidade de seus produtos em xeque diante de falhas e acidentes relatados por consumidores comuns e até mesmo policiais.

A aposta dos investidores em uma virada da companhia com a nova gestão, o chamado turnaround, que é quando o patinho feio da bolsa tenta virar cisne, trouxe muitos especuladores para suas ações. Esses investidores foram antecipando e digerindo a evolução da companhia demonstrada nos últimos balanços e as ações da Taurus acumulam ganhos de 171% e 140%, nas ordinárias e nas preferenciais, nesta ordem, nos últimos 12 meses.

Para manter a curva ascendente do valor das ações e chamar a atenção dos investidores de mais longo prazo para a companhia, Salesio Nuhs explica, em sua entrevista para a série “Com a Palavra…” (assista a íntegra no vídeo abaixo), que continua apostando na transparência e reformulação total da companhia. Atualmente, são pouco mais de 38 mil pessoas físicas com ações da empresa, muitos mais que as 2,5 mil lá em 2018. O veterano Luiz Barsi, um dos maiores investidores individuais da B3, detém 4,06% de participação na empresa e a BYK Participações tem 36,31%.

Desde que chegou na companhia, Nuhs e sua equipe têm focado no que ele que costuma chamar de tripé estratégico, o que envolve investimentos na qualidade dos produtos, rentabilidade sustentável do negócio e melhora dos indicadores financeiros e operacionais.

“O firme propósito era entregar resultados consistentes. Fizemos uma reformulação total dessa companhia, buscando sempre transparência e entregando aquilo que nos propomos, diz Nuhs, destacando que há forte planejamento da Taurus visando curto, médio e longo prazo. A cada trimestre temos mais credibilidade com os nossos acionistas porque os resultados são consistentes”, diz o executivo, ao reforçar que seu objetivo pessoal é tornar a Taurus a maior fabricante de armas leves do mundo.

Vendendo armas como nunca, a Taurus alcançou o patamar recorde de 618 mil unidades comercializadas no segundo trimestre, um aumento de 41,7% em relação ao mesmo período de 2020, e a companhia já mira novos recordes no próximo trimestre. Com isso, o caixa da empresa segue aumentando e Nuhs avalia que os dividendos devem começar a ser pagos aos investidores “em breve”, o que também deve ajudar a chamar a atenção de mais investidores.

Quando Nuhs assumiu a Taurus, 2,7 mil armas eram fabricadas por dia, volume que saltou 252% no último trimestre, com 9,5 mil armas produzidas diariamente. Para além da quantidade, o executivo conta que tem investido na credibilidade com a segurança das armas e que houve reformulação total do pós-venda da companhia, para atender rapidamente qualquer reclamações, incluindo de armamentos antigos. Os sistemas de produção foram reorganizados com foco na qualidade dos produtos, diz ele.

Atualmente, 20% da receita da companhia vem do Brasil e 80% de outros países, com destaque para os Estados Unidos, que é o maior mercado consumidor civil de armas do mundo e onde a concorrência também é maior. Segundo Nuhs, a estratégia para ganhar mais mercado em território americano é focar na qualidade e na inovação.

“Nossa margem nos Estados Unidos é melhor do que a margem no mercado brasileiro”, afirma o executivo. Segundo ele, os menores custos de produção no Brasil proporcionam uma “margem excelente de preços lá fora, com as vendas em dólar. Por aqui, a história não se repete, segundo Nuhs, porque os impostos são muito altos.

Por isso, Nuhs afirma que oferecer uma arma no mercado brasileiro nunca será em iguais condições ao mercado americano. “O imposto, em média de uma arma no Brasil, é de 70%”, diz. Assim, o executivo ainda vê espaço para melhorar o valor médio cobrado pelos produtos Taurus nos Estados Unidos.

Por se tratar de um produto “extremamente controlado”, seja aqui ou nos Estados Unidos, Nuhs reconhece que mudanças políticas e de mandatos podem afetar o mercado em que atua, mas não vê o cenário com grandes preocupações.

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