Setembro Amarelo: como cuidar da saúde mental e incentivar o cuidado ao próximo

Profissionais alertam para a importância do diálogo, principalmente em momentos de isolamento

Setembro deu início à mobilização nacional em prol da campanha de prevenção ao suicídio, promovida pela Associação Brasileira de Psiquiatria – ABP. Com o diálogo cada vez mais aberto sobre a saúde mental, a procura por tratamento também tem sido mais ativa. A clínica digital de saúde mental Telavita viu sua demanda aumentar 400% no primeiro semestre de 2021. Entender-se e entender o próximo se tornou uma realidade para enfrentar a sensação de solidão trazida pela pandemia.

O ponto positivo desse aumento na procura por terapia é percebido no levantamento de dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2021, que aponta que o número de suicídios no Brasil em 2020 foi de 12.895, uma variação de apenas 0,4% em relação a 2019, quando foram registrados 12.745 casos. Se por um lado o isolamento imposto pela pandemia aumentou a incidência de transtornos mentais e emocionais, por outro, acabou sendo um fator protetivo e motivador para que as pessoas buscassem mais informações, conversassem mais e entendessem que a melhor forma de lidar com o momento é procurando ajuda.

Em muitos casos, além de lidar com os próprios problemas do cotidiano, as pessoas se viram enfrentando o luto durante o isolamento. “A terapia teve um papel muito importante para ajudar quem fica a lidar com a perda de uma pessoa querida. O luto nos atinge de formas diferentes e o diálogo com um profissional pode ser benéfico para passar por todos os estágios da melhor forma e com o melhor acompanhamento”, explica Milene Rosenthal, psicóloga, co-fundadora da Telavita.

Para Pedro Sammarco, voluntário no Centro de Valorização da Vida (CVV) e psicólogo credenciado da Telavita, lembra a importância de perceber que, antes de tudo, somos seres humanos e que dividir experiências e emoções muitas vezes é o que precisamos para lidar melhor com os problemas. “Necessitamos uns dos outros para poder viver. É importante compartilhar sua dor com alguém para, quem sabe, você acabar enxergando novas e melhores formas de lidar com a situação. Falar sobre as dores humanas tem se mostrado cada vez mais fundamental”.

Vale lembrar que, apesar da sensação, ninguém está sozinho. O CVV oferece apoio emocional e atua na prevenção do suicídio, de forma voluntária e gratuita, atendendo todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo pelo número 188, 24 horas todos os dias.

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