Risco de infarto pode ser até 30% maior no inverno

Alerta vale para ampliar a proteção de idosos e de pessoas com doenças cardíacas já existentes

O Estado do Rio de Janeiro teve seu dia mais frio do ano em 29 de junho, e de acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e do Alerta Rio, uma onda de temperaturas ainda mais baixas está prevista para os próximos dias. Além das doenças típicas dessa época e todos os cuidados com a prevenção da Covid – já amplamente divulgados- especialistas chamam a atenção para o risco aumentado de infarto nesse período, que é 30% maior conforme as informações do Instituto Nacional de Cardiologia (INC).

Claudio Tinoco, cardiologista e coordenador da área de Medicina Nuclear do Hospital Pró-Cardíaco, afirma que um dos principais problemas é a que o frio está associado à contração dos vasos sanguíneos. “Fator que reduz o fornecimento de sangue para vários órgãos e sobrecarrega o coração, provocando um desequilíbrio entre a oferta e a necessidade de oxigênio no organismo. Estima-se que a cada 10°C de queda na temperatura haja um aumento de 7% no índice de infartos. A situação se agrava especialmente quando os termômetros atingem marcas inferiores a 14ºC”, observa.

O médico explica ainda que por mais que as atividades físicas sejam fundamentais e recomendadas para prevenção dos males cardiovasculares, até para se fazer exercícios nessa época é importante tomar alguns cuidados com a hora de colocar o corpo em movimento. “Vestir roupas adequadas para esse fim é indicado na hora da prática de exercícios, pois a exposição ao frio associado ao aumento da frequência cardíaca e da pressão arterial podem causar complicações ao coração para pessoas com predisposição ”, explica Tinoco.

Com relação aos idosos, o médico recomenda cuidados ainda mais rigorosos em virtude do maior risco de complicações e alerta: “ Temos de equilibrar uma vida ativa, inclusive desse público, com a proteção dos fatores ambientais que possam agravar as doenças cardíacas, como o frio intenso e a poluição ambiental, essa última, maior nessa época, especialmente, em locais que as pessoas usam combustíveis fósseis como carvão e lenha para se aquecer”, diz.

Tinoco informa ainda que estudos recentes chegaram a conclusões de que as baixas temperaturas e o período de frio aumentam a mortalidade cardiovascular especialmente nos idosos. “É importante estar atento aos cuidados em mantê-los protegidos das quedas bruscas de temperatura, oferecer hidratação contínua, além de buscar atendimento médico na presença de sintomas como dor no peito ou falta de ar”, explica.

Para o médico, em caso de dúvidas, é importante sempre ouvir um especialista que pode dar as orientações necessárias para que se possa aproveitar as coisas boas desta época do ano e evitar riscos desnecessários à saúde. Mais informações sobre o tema também podem ser encontradas no site da Sociedade Brasileira de Cardiologia: https://www.portal.cardiol.br/

Infartos são mais comuns nas segundas-feiras, indica estudo

Má alimentação, consumo de bebidas alcoólicas e falta de sono estão entre os agravantes para as doenças cardiovasculares

O Brasil registra uma morte a cada 90 segundos por doenças cardiovasculares, afecções do coração e da circulação, segundo dados da Sociedade Brasileira de Cardiologia. Só em 2021, mais de 209 mil brasileiros já perderam a vida por problemas cardíacos. E há momentos mais preocupantes para isso, como vêm mostrando algumas evidências ao longo dos anos. Um estudo da Universidade de São Paulo (USP), por exemplo, analisou mais de 173 mil internações motivadas por distúrbios cardiovasculares e mostrou que a segunda-feira é o dia mais propício para se infartar, com 17% dos casos.

“Isso se deve principalmente aos abusos cometidos aos fins de semana, seja na alimentação, consumo de bebida alcoólica e qualidade do sono, explica o cardiologista José Augusto Ribas Fortes. Muitas pessoas ficam com a pressão mais alta no início da semana como resultado dos excessos cometidos durante a folga e isso representa uma ameaça ao coração. O controle da pressão arterial reduz em 42% o risco de derrame e 15% o risco de infarto, por isso o seu controle é tão importante”, complementa.

O infarto é a interrupção do fluxo sanguíneo para o coração, devido ao aparecimento de placas de gordura ou coágulo, que acabam provocando a morte das células do coração. Embora possa acontecer com qualquer pessoa, acaba atingindo com maior frequência pessoas com mais de 45 anos, fumantes, que estão acima do peso, têm pressão alta, diabetes e colesterol alto, por exemplo.

Entre os sintomas mais comuns estão a dor no lado esquerdo do peito, que pode irradiar para o pescoço, axila, costas, braço esquerdo ou direito, dormência ou formigamento no braço, dor de estômago, nas costas, mal estar, enjoos, tonturas, palidez, dificuldade para respirar, tosse seca e dificuldade para dormir.

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