Participação das mulheres na vida política ainda é pequena

Embora houvesse 30% de candidaturas femininas por força de lei, a Câmara de Jundiaí terá somente uma mulher a partir de janeiro

Há muitos anos tenta-se incluir as mulheres na vida política brasileira. No passado, algumas se destacaram pelo espaço conquistado praticamente à força num universo dominado por homens. O país já teve governadoras, tem deputadas, senadoras, vereadoras e já teve até uma presidente. Um novo alento à participação surgiu com a obrigatoriedade dos partidos registrarem 30% de mulheres nas candidaturas.

Em Jundiaí, das mulheres que se apresentaram como candidatas somente uma se elegeu vereadora. As demais, embora não tenham conseguido os votos necessários, mostraram conhecer seu papel, fizeram suas campanhas, discutiram prioridades, e embora não eleitas, mostraram sua importância na vida política da cidade. Há as exceções, como em todas as regras, das mulheres que tiveram registro somente para cumprir a cota dos partidos. Mas a maioria levou a campanha a sério.

Além das candidaturas à Câmara de Vereadores, duas mulheres foram candidatas à Prefeitura. A Urbem Magazine escolheu algumas candidatas para mostrar ao público a importância da mulher na discussão dos problemas de Jundiaí.

Cíntia Vanessa

Foi candidata do PSOL à Prefeitura. Cíntia é nascida e criada em Jundiaí, filha de Maria Iara e Gilberto Luiz Gomes. É a mais velha da prole de seis filhos. Formada em Pedagoria, Cíntia dá aulas em escolas públicas, mantém um curso popular para alunos de baixa renda, que ela mesma fundou, e é a primeira da família a se envolver com política. Está no PSOL há seis anos, e esta foi sua primeira disputa eleitoral.

Seu envolvimento começou no movimento estudantil: “É a primeira vez que me candidato, já coordenei campanhas anteriores a candidatos do Psol, meu primeiro e único partido. Aceitei ser candidata para defender um projeto coletivo dentro do Psol, tive apoio da família e amigos, já que participo da vida política da cidade desde a adolescência. Minha atuação política se iniciou no movimento estudantil e se estende até os dias de hoje”.

Cíntia participa ativamente de diversos movimentos sociais. Acompanha as sessões de Câmara e procura estar presente em todas as mobilizações. “Foi minha primeira disputa eleitoral, mas não minha primeira eleição, mesmo tendo minhas experiência num partido pequeno com pouca ou nenhuma estrutura – diz ela.  É muito gratificante, um momento de muita aprendizagem e realização pessoal, e é muito importante plantar sementinhas de esperança nas pessoas; tenho paixão em divulgar os programas e ideais do Psol, tenho muito orgulho em falar das conquistas dos nossos parlamentares, de levar os debates e acontecimentos políticos onde eles não chegam, e de estimular a participação de mais mulheres na política”.

Cíntia sabe que por ser mulher, tudo é mais complicado. “Os desafios enfrentados por ser mulher é mais complicado, desde pessoas desdenhar até situações de assédio, mas a recepção das pessoas foi muito boa, principalmente na periferia, onde as pessoas se identificam com minhas pautas e origem, conta ela. Sou de família pobre e utilizo os serviços públicos do munícipio, falo com conhecimento de causa e falo a linguagem das pessoas. Sobre a obrigatoriedade dos partidos terem a cota de 30% de mulheres considero importante, mas ainda não é o ideal, tendo em vista a quantidade de mulheres eleita, muitos partidos deixam para promover campanhas chamando a participação de mulheres vésperas antes das eleições, sendo muito dessa cota ser ocupada por mulheres usadas como laranjas. Não é o caso do Psol, onde a maior parte das direções serem ocupadas por mulheres, somos o único partido com paridade de gênero no Congresso”.

Não eleita, o resultado foi aceito. “Tive vontade de chorar sim, mas de alegria, pois fiz a maior votação do Psol na história, fui a candidata a prefeita mais jovem do pleito e com poucos recursos, recursos mínimos, e mesmo sendo a primeira disputa, fiquei à frente de candidatos que já ocuparam cargos políticos, que já disputaram outras eleições e candidatos com dez vezes mais recursos. Não desisto, pois tenho sonhos e ideias. Essa eleição me encheu de gás e energia, estarei presente em muitas disputas; essa foi só a primeira”, diz ela.

Cíntia fala também sobre os problemas de JUndiaí e suas propostas caso fosse eleta: “O principal problema de Jundiaí é a desigualdade e a má utilização e destino dos recursos, a falta de diálogos e de olhar para as periferias. Em nosso governo iriamos fazer justiça social, construindo diálogo e política cm a população, colocando a periferia no centro das prioridades e orçamentos. Nosso olhar é crítico e humanizado as questões sociais”, finaliza.

Carla Basílio

Foi candidata à Câmara, e conseguiu 1.223 votos. Cabeleireira há 22 anos, Carla é formada em Gestão Pública. Seu companheiro dá apoio às decisões. Carla é nascida em Jundiaí, onde sempre morou, filha de Pascoalina e Antonio e tem quatro irmãos – ela é a mais nova. Além do salão de beleza, donde tira o sustento, participa de trabalhos sociais, como arrecadação de alimentos para o Fundo Social, promove doações a instituições de caridade, o Natal Solidário, e é a voz do bairro para  resolver problemas – ela sempre atende os que a procuram. Na família, ninguém nunca se envolveu com política.

Carla foi candidata pela terceira vez. Na primeira, em 2012, conseguiu 319 votos. Neste ano, quadruplicou a votação. “A ideia de me candidatar surgiu dentro do salão, onde várias amigas relatavam problemas em seus bairros, explica. Partindo desse ponto, comecei meus trabalhos sociais em Jundiaí e logo em seguida decidi dar um passo adiante me candidatando”.

Nem tudo foi fácil – a família a criticou pela decisão, mas o apoio dos amigos pesou na escolha e ela foi em frente. E fazer campanha também não é fácil. “Uma campanha eleitoral é um processo bem cansativo, você sai de casa às seis da manhã sem horário para voltar; são inúmeras reuniões, visitas e muitas horas caminhando pela cidade, diz ela. A satisfação é ser bem recebida pelas pessoas: “Minha recepção nos bairros sempre foi muito boa, não tenho do que reclamar, sempre ao chegar em uma comunidade tinha alguém que já conhecia meu trabalho através das redes sociais”.

O fato de ser mulher não ajudou nem atrapalhou. “Andei por toda a cidade e minha voz foi ouvida, mostrei meu histórico de trabalho e todos me respeitaram por isso. Infelizmente o machismo existe em nossa sociedade, comentários maldosos surgem, mas com argumentos, ideias sólidas e uma gigante vontade de representar minha cidade fui passando por cima disso para seguir meu sonho”, afirma Carla.

Para ela, o fato dos partidos serem obrigados a ter 30% de candidaturas femininas ajuda: “A legislação obrigar os partidos a terem 30% de candidatas ajuda sim na inclusão, o que infelizmente ainda falta é a participação de mais mulheres e a população perceber a importância da representatividade feminina na Câmara”.

E qual a sensação de não ser eleita? “Após o termino da apuração, ao perceber que não fui eleita, foi um mix de sensações – tristeza por não ter alcançado a vaga almejada, porém a felicidade em ter realizado o melhor trabalho possível, um trabalho que não começou há 45 dias, mas sim há 10 anos. Eu nunca desisti e não vou desistir agora, meus trabalhos sociais continuam com força total. 1223 pessoas acreditam em meu trabalho, isso me dá forças e motivação para buscar o melhor para nossa cidade”, explica.

No seu entender, Jundiaí tem seus problemas, mas também tem soluções. Ela diz que o que os eleitores mais pedem é fiscalização na área da Saúde e manutenção das ruas. “Jundiaí é uma grande cidade e precisa de melhorias constantes, vejo que muitos problemas não chegam aos responsáveis. Uma de minhas propostas era estar na rua, ouvindo as pessoas, fiscalizando o poder executivo de forma constante e efetiva”, conclui.

Daniela da Câmara

Nascida e criada em Jundiaí, Daniela da Câmara, filha de Eliana e Wilson, é arquiteta e urbanista e também empresária. Tem uma irmã, Areta. Daniela faz parte do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Estado de São Paulo e integra a Comissão de Mobilidade Urbana – por causa das eleições, está licenciada. Em sua família não há ninguém que tenha se interessado pela vida política.

Foi a primeira disputa eleitoral de Daniela, convidada pelo PT devido ao seu trabalho à frente da Secretaria de Planejamento Urbano e Meio Ambiente de 2013 a 2016. A dar a notícia à família de que seria candidata à prefeita, recebeu apoio à decisão.

“Foi a primeira campanha em que estive no papel de candidata. Então, a percepção é diferente. Fomos muito bem recebidos nas ruas, nos bairros e pelas pessoas que dialogamos no período da campanha. Foi um grande aprendizado”, conta ela.

Há preconceitos ainda sobre o fato de uma mulher comandar uma cidade. “Existe sim a visão masculina de que mulher pode não ter condição de gerir uma cidade – mas é justamente o oposto: uma mulher pode gerir uma cidade muito bem, muito melhor até do que muitos homens e pode fazer muitas outras coisas. A mulher pode fazer o que ela quiser. Mas o ambiente político ainda é predominantemente masculino – precisamos equilibrar isso”, afirma. Para ela, a questão da porcentagem visa garantir que as mulheres estejam nesses espaços de poder: “É importante e um grande avanço”.

O balanço da campanha eleitoral, para ela, é positivo: “Fiquei muito contente com a campanha que fizemos, com as pessoas que dialogamos, com nosso plano de governo com propostas consistentes e que podem sim trazer a melhora ao dia a dia das pessoas, diz Daniela. Como disse, fomos bem recebidos, dialogamos com as pessoas e pudemos apresentar as nossas propostas – acho que faltou, infelizmente, que a cidade tivesse na TV os candidatos de Jundiaí no horário eleitoral e não os candidatos de Sorocaba, como acontece. E a pandemia também foi um desafio”.

Daniela não se elegeu, mas caso tivesse sido eleita teria alguns programas para Jundiaí, como Catraca Livre (Passagem Gratuita e um Sistema de Mobilidade na Cidade), criação do App Municipal de entregas, para que os entregadores possam ter mais rendimento através de seu trabalho e menos taxas dos aplicativos, Programa Bairros Completos e Saúde Preventiva, como mudança de conceito do Mercado da Doença na cidade, através da ampliação para atendimento em 4 anos, de 50%, do Programa de Saúde da Família.

Ana Tonelli

Política experiente, Ana Tonelli é jundiaiense, filha única de Maria e José, já falecidos. É casada com Roberto, e mãe da jornalista Ana Maria, avó de três netos. Radialista há 44 anos (atualmente apresenta A Hora H da Notícia na Rádio Cidade das cinco às seis da manhã), Ana integra diretorias e clubes de serviço e movimentos religiosos.

Ninguém da família se envolveu em política, mas em 1982 Ana recebeu convite para se candidatar à vereadora. Incentivada pelo ex-vereador Lázaro de Almeida (o Arquimedes), disputou sua primeira eleição e foi eleita – no total foram seis mandatos. Duas vezes foi presidente da Câmara. Dessa vez ficou de fora, por não ter tanto tempo para se dedicar à campanha e por não contar com seu principal cabo eleitoral, o marido Roberto. Roberto está passando por problemas de saúde, e Ana teve de escolher – ou nas ruas, em campanha, ou em casa ou no hospital com o marido. Preferiu ficar com o marido.

Sobre o fato de ser mulher e estar na política, Ana faz comparativo: “Se hoje a mulher ainda tem alguma dificuldade em candidatar-se, há 28 anos a dificuldade era maior. Mas eu nunca tive problemas. Em 1982, com meu pai já falecido, recebi total apoio da minha mãe. E foi justamente nesse ano que conheci o Roberto, que sempre foi meu maior cabo eleitoral”, diz ela.

É fácil pedir votos? “Nunca tive dificuldade em fazer campanha – explica Ana. Pedir voto, quando você se propõe a fazer algo, é acreditar e ir em frente. O fato de ser mulher na hora de pedir o voto, ao meu ver não muda nada. O que é preciso é ser autêntica, conhecer a função do vereador, nunca prometer algo quenão possa cumprir, que não seja função do vereador”.

E durante a campanha, o que não falta é pedido de eleitor. “É normal receber pedidos, alguns impossíveis – diz Ana. Aí você precisa explicar que o que está sendo pedido é impossível. Sinceridade sempre”. Ela diz também que nunca se sentiu discriminada pelo fato de ser mulher, e que na Câmara suas propostas sempre foram discutidas em pé de igualdade com os demais vereadores.

Para ela, a campanha de 2020 foi atípica. “Não pude estar nas ruas como queria, tivemos o problema de saúde do Roberto, e isso não é para justificar, explica. Muitas amigas não sabiam que eu era candidata. No sábado, por exemplo, encontrei uma amiga na missa e só lá ela ficou sabendo disso”.

O fato de não ser eleita gera tristeza, mas há compensações. “Lógico que a gente fica triste com o resultado, mas ninguém compra um bilhete de loteria se não tem esperança de ganhar. Embora não tenha conseguido, fiquei feliz com o resultado para prefeito, pois meu candidato, o Luiz Fernando, ganhou no primeiro turno”, diz ela. Sobre o futuro: ‘E cedo para dizer. Na política, nunca diga nunca. Bola pra frente!”

Francine Galioti

Foi candidata à vereadora pelo Cidadania. Francine nasceu em Sorocaba, filha de Meire e Nelson; tem uma irmã gêmea e irmãos e meio irmãos. Está em Jundiaí desde 1989, depois de viver algum tempo em Cajamar. Divorciada e mãe de filho de 26 anos, trabalha desde os 13 anos. Desde janeiro de 2000 é funcionária da Prefeitura de Jundiaí. É engenheira civil e pós-graduada em Gestão e Políticas Públicas, Promotora Legal Popular (formada na turma de 2018), participa ativamente dos movimentos e coletivos de mulheres e defende a causa animal há mais de dez anos.

Neste ano entrou na disputa eleitoral pela primeira vez, embora já participasse de atividades políticas desde 2010 – em 2014 filiou-se ao Cidadania. Hoje faz parte da Executiva do partido, como presidente. Consciente da necessidade de mulheres na política, seja no Executivo ou no Legislativo, teve apoio da família e dos amigos mais próximos em sua empreitada> “Resolvi sair da minha zona de conforto e entrar na disputa à Câmara”, diz ela.

Novata na disputa, Francine enfrentou algumas dificuldades: “Posso dizer que como foi a primeira vez, tive algumas dificuldades no começo, principalmente em falar as pessoas que estavam muito arredias às abordagens políticas, evitei locais de aglomeração, procurei conversar com pessoas nos bairro, batendo de porta em porta, respeitando o distanciamento social, e na grande maioria das vezes as pessoas eram muito simpáticas; não tive nenhum pedido absurdo feito por eleitores a não ser atender e priorizar as necessidades de cada bairro, como mulher a empatia é sempre maior quando conversamos com outras mulheres, que nos ouvem e muitas vezes nos contam suas histórias e eu ouvi muitas, algumas que me emocionaram e me marcaram profundamente, o que fez dessa uma experiência impar que vou levar pra toda vida”, afirma.

Sobre o fato dos partidos políticos serem obrigados a apresentar 30% de candidaturas femininas, Francine entende que é um bom começo: “Com certeza, a obrigatoriedade dos 30% ajuda e muito na participação de mulheres na vida política, mas ainda temos um longo caminho a percorrer;  o nosso legislativo é a prova disso. Na legislatura  atual não temos nenhuma mulher e nesse pleito tivemos única mulher eleita, que não tem nenhuma participação efetiva junto as lideranças ou coletivos de mulheres da cidade. Os partidos precisam entender a participação das mulheres como um direito, pensando em equidade e não como um meio de cumprir uma cota garantida por lei ou  como meio de proporcionar e alavancar candidaturas masculinas, mas sim como um instrumento para que seja dada voz às verdadeiras lideranças femininas na nossa cidade”, explica.

Na noite de domingo (15), terminada a apuração, vieram os sentimentos e propósitos – Francine não vai desistir: Vou participar de outros pleitos, disso eu não tenho dúvida alguma; claro que surgiu uma decepção, não seria normal se isso não acontecesse, mas tenho comigo que, como mulher, nada melhor do que enfrentar de cabeça erguida e de frente as dificuldades que me aparecem; saio dessa eleição fortalecida, aprendi muito com os erros e estratégias de campanha, vivemos numa cidade extremamente conservadora e sem dúvida nenhuma machista, onde uma mulher sozinha tem muita dificuldade em se colocar na vida pública e política, e as pessoas ficam esperando um endosso masculino validar a nossa iniciativa”, afirma

Francine entende que Jundiaí tem problemas, mas tinha propostas viáveis. “Minhas propostas estavam baseadas nas minhas áreas de atuação, combate à violência contra a mulher, causa animal e na defesa dos diretos dos servidores públicos; acredito que o vereador deve ter conhecimento efetivo da administração pública, do orçamento da cidade e assim poder fiscalizar e propor projetos de lei realmente impactantes na vida da população, seguindo sempre o princípio de educação e do diálogo, cobrar a mudança na operação de determinados equipamentos ou políticas públicas – diz ela. Não fiz promessas de campanha, mas fui incisiva no que eu acredito. Ainda não temos um Centro de Referência da Mulher em Jundiaí, para atendimento de mulheres em situação de vulnerabilidade e violência, o Departamento de Bem Estar Animal precisa urgentemente de nova sede e de gestão eficiente, a Fundação Serra do Japi não pode somente abocanhar parte do orçamento da cidade sem ter projetos efetivos na sua preservação e dos animais silvestres que lá habitam; a Serra é o nosso maior patrimônio”. 

Parte de suas propostas visavam o funcionalismo público: Nas questões dos funcionários públicos, o assédio moral, por exemplo é gravíssimo, explica Francine. Essas são questões que nunca foram abordadas pelos nossos vereadores, precisamos sim de um excelente relacionamento entre o legislativo e executivo, mas sem subserviência; nós ainda vamos lidar com o mesmo Legislativo, que se nega a conversar com as lideranças e com os coletivos da cidade em qualquer seguimento, propõem projetos, emendas ou extinguem leis sem sequer conversar com essas lideranças, seja em políticas públicas para mulher, para população LGBTQ, população negra ou mesmo na causa animal. Portanto, vou continuar defendendo e cobrando tudo isso pelas mídias sociais, na tribuna da Câmara, quando for reaberta e sigo firme na minha ideologia. Acredito na política como um meio de dar voz às necessidades na população e que respeita o direito de todos ao acesso à politicas publicas efetivas e nas suas aplicações no combate às desigualdades sociais, de gênero e raciais”, conclui.

Fabi Zanetta

Nascida em Jundiaí, Fabiana Souto Zanetta – filha de Cleusa e Marino – tem um irmão mais novo. Casada com Rovilson, tem duas filhas, Isabelly e Gabrielly. Dava aulas, habilitada em curso de Magistério, mas trancou matrícula na faculdade de Pedagogia. Hoje ajuda o marido no comércio, mas dedica muito tempo às filhas, em especial à Gabi, que tem deficiência intelectual.

Neste ano, pela primeira vez se candidatou a vereadora. Mas já fazia trabalhos dedicados ao próximo – que ela não considera sociais – como promover café da manhã inclusivo (onde famílias se reúnem para troca de experiências), lazer com crianças, e o momento importante para as famílias interagirem, além da ajuda mútua com a troca de informações.

Fabia ficou surpresa com o apoio recebido. “Pensei que muitos candidatos têm uma bandeira ou uma causa, mas nunca vi uma mãe com criança com deficiência tentar se eleger para ajudar nessa causa, lutar pelos direitos e fiscalizá-los também, conta ela. Meu esposo foi o primeiro a me apoiar e logo o resto da família e amigos também; tive o apoio das mães amigas da Apae, que também me incentivaram e disseram que seria uma oportunidade para conseguir mais benfeitorias para nosso filhos. Ninguém me julgou, todos entenderam e me apoiaram muito”.

Iniciante em política, Fabi conta que não foi fácil fazer campanha, ainda mais por nunca ter participado de algo parecido. “Porém quando conversava com as pessoas que têm ou conhece algum caso se simpatizavam e me apoiavam sempre falando que nunca viu uma mãe fazer isso em prol de uma causa tão nobre. Muitos me chamaram até de mãe guerreira pois fiquei embaixo do sol várias semanas procurando eleitores que acreditassem e confiassem em mim”, diz ela.

Mas campanha eleitoral também tem surpresas: “Não posso deixar de falar também que encontrei muitas pessoas preconceituosas, mal educadas, que chegaram até me ofender, xingar. Me falaram que pessoas assim com deficiência é um peso ou até mesmo que ela não tem nada a ver com a causa. Nessa campanha escutei os dois lados, que a mulher não serve para entrar no meio da política e também ouvi que a política precisava de mais mulheres para representar”.

Para ela, o fato dos partidos terem obrigação de candidaturas femininas é bom para incentivar a participação, mas acredita que os homens devem encorajar mais as mulheres. Terminada a campanha, vieram a votação e a apuração. “A apuração demorou muito, ficamos muito ansiosos para saber o resultado, fiquei chateada, chorei sim, mas bola pra frente, vamos continuar ajudando fazendo nosso trabalho que parece ser pequeno mas nesse período eu pude perceber o quanto ajudei e posso ajudar as famílias. E provavelmente irei me candidatar novamente.

Para ela, Jundiaí é uma cidade grande que precisa de pessoas que façam as coisas fluir. Se tivesse sido eleita, tinha muitos projetos, como a carteirinha de identificação para as pessoas com deficiência, centro de apoio para as mães, curso de capacitação para aqueles que têm dificuldade em conseguir ingressar no mercado de trabalho por conta da deficiência. Tenho muitas propostas para ajudar o cidadão jundiaiense e também as pessoas com deficiência, transtornos, síndromes e mobilidade reduzida”, conclui.

Lili Belleza

Eliana Belleza, a Lili Belleza, é jundiaiense, filha de Dirce e Alcides, a mais velha dos três irmãos. Divorciada e sem filhos, é formada em Administração de Empresas e pós-graduada na mesma área. Além disso, possui inúmeros cursos, como Gestão Financeira, Pessoas, Liderança e Contratos. Atua na iniciativa privada. Morou na Ponte de São João durante 35 anos, atualmente no Residencial Anchieta.

Já teve diversas atividadees sociais, e como curiosa, estudou várias religiões – hoje prefere estudar somente a Bíblia. “Uma atividade que marcou muito foi um trabalho voluntário que participei em Jundiai durante quatro  anos,  na APJ – Ação Pró Jundiai, conta ela.  Isso foi  nos anos 1995 aqui em Jundiai, um projeto embrionário do que é hoje a Transparência Brasil . Já na epoca foi a primeira vez que fui convidada a sair candidata a vereadora. Não aceitei, estava iniciando uma empresa e não seria possível me dedicar no que acredito ser necessário”.

Vinte e cinco anos depois, resolveu encarar o desafio. “Fui convidada para fortalecer o quadro feminino do Cidadania nesta eleição; como sou apaixonada por política desde minha adolescência aceitei….entendi que poderia ser o momento de iniciar a concretização de um sonho, que seria ter uma carreira política. A família apoiou a ideia, com reservas. Quase a unanimidade de amigos também apoiou, dizendo: é a sua cara”, conta.

Lili gostou de fazer campanha: “Participar de uma campanha é fantástico; isso é conhecer pessoas, escutar seus anseios e os pedidos, que são os mais variados. Não me deparei com nenhuma atitude machista. Claro que recebi muitas ofensas nas redes sociais. Na primeira fiquei chocada, na segunda constatei o nível de exposição que é participar de  uma campanha, e na terceiraentendi que isso era uma questão da pessoa que estava me escrevendo e não pessoal comigo. A partir daí levei suave”.

Lili questiona o fato de os partidos terem cotas para mulheres, obrigados por lei: “Na minha concepção, a situação de cotas para mulheres é a mesma que  tantas outras cotas que existem nosso pais. Tenta se resolver um problema estrutural obrigando a ter as cotas, mas qual a qualidade? O problema é estrutural. Com isso vemos  nas ultimas eleições mais de 50% dos votos válidos são femininos e praticamente nenhuma ou apenas uma vereadora eleita. Ocorre que  as eleitoras não se sentem representadas pois não têm empatia, engajamento com as mulheres que se arriscam a sair candidatas”, diz ela.

Na apuração, os votos recebidos ficaram abaixo da expectativa. “Terminada a apuração….foi minha primeira eleição, com uma campanha total de 45 dias, sem trabalho de base anterior, tinha muita consciência das dificuldades. Pedir voto não é fácil, sair distribuir planfletos, também não é. Mas se esse era meu sonho e meu propósito tive que encarar. Foram 99 votos. Senti o baque de uma votação muito abaixo da minha expectativa que era de 300 a 500 votos. Isso demonstra que, apesar de 16.000 visualizações em vídeos ou postagens com 27.000 visualizações isso não se converte em votos. Absorvi, pois quando não saímos vencedores o aprendizado é maior  e  melhor”, afirma Lili.

Mas nada de resentimentos: “Fui cumprimentar a vereadora eleita a Quézia, pois acho que cabe a ela representar uma nova geração de mulheres na política que está surgindo”. Vai participar novamente? “Sim,  pretendo participar, mas com mais critérios, conhecendo melhor os eleitores e suas dores antes de formular propostas, para assim ser de fato uma candidata com qualificações e que atenda aos anseios da população”, diz ela.

E no frigir dos ovos… “foi um período de muito aprendizado, me decepcionei com algumas pessoas (mas isso não interferiu nas minhas relações , afinal política é sobre aprender a respeitar),  aprendi muito sobre mim mesma, como se processa uma campanha eleitoral. O resultado final é mais positivo que negativo”, finaliza.

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