Novos jatos podem devolver o mundo à era supersônica

Após a aposentadoria compulsória do Concorde – por não ser viável economicamente e por se envolver em acidentes, empresas planejam novos jatos supersônicos

Quando o Concorde foi lançado, houve euforia no mundo. Supersônico, o jato diminuiu demais o tempo das viagens. Era possível, por exemplo comemorar o reveillon em Londres, partir num Concorde para Nova Iorque, e comemorar novamente o reveillon. Mas aí começaram os problemas. Restrição de voar em velocidade acima da do som em território americano foi um deles. O custo da passagem era outro, embora o Concorde só tivesse a classe única.

Como vitória da engenharia sobre desafios o Concorde foi um exemplo. Quando atingia grandes altitudes em velocidade supersônica, por exemplo, ele ficava maior pela dilatação, voltando ao tamanho normal ao procujrar altitudes e velocidades menores. Agora o mundo está caminhando para ter de volta os jatos supersônicos.

A Boom Supersoni lançou seu avião XB-1. O modelo é o primeiro supersônico para uso civil desde que o Tupolev T-44 voou pela primeira vez em 1968. Sua forma estreita e pontiaguda vai permitir que a Boom confirme os aspectos propostos para outra aeronave, a Overture.

Esta terá asa delta, em formato de triângulo, mas melhor e mais bonita que a do Concorde. O Overture está projetado para transportar de 65 a 88 passageiros em rotas sobre os oceanos, poupando as populações em terra do estrondo sônico provocado por sua velocidade, nada modesta, de 2,22 a velocidade do som (1.234,8 quilômetros por hora).

A Nasa não ficou para trás. Tem um avião de teste, mas que ainda está sendo preparado. É o X-59, que deverá voar em 2022. A ambição da Nasa é grande: quer que o X-59 voe sobre continentes. Mas antes precisa descobrir como anular ou diminuir o estrondo sônico.

Outra empresa, a Aerion, promete uma aeronave supersônica para uso civil até o final desta década. Será um avião pequeno, com capacidade de até 10 passageiros. O AS2 está projetado para viagens supersônicas de negócios. O AS2 da Aerion está sendo construído na Flórida, perto do Cabo Canaveral, no que os locais chamam de Space Coast (Costa Espacial). A empresa está apostando que um jato executivo com três motores, que leve pessoas através do mundo a 1.000 milhas por hora, é exatamente o que os viajantes de negócios estão esperando.

Um problema de engenharia que todas essas aeronaves precisam resolver é como o ar é ingerido pelos motores em alta velocidade. Engolir ar em velocidades supersônicas cria problemas para todos os motores de aeronaves. As entradas são planejadas de forma a quebrar o fluxo de ar e reduzi-lo a uma velocidade que o motor possa suportar. É uma área sensível, que até causou uma encrenca anglo-francesa na época da aposentadoria do Concorde. A Air France aposentou a frota, mas a British Airways fez questão de manter a aeronave voando.

“As pessoas sempre quiseram viajar rápido, desde que a primeira pessoa galopou a cavalo”, diz Mike Bannister. E ele sabe do que está falando. Bannister pilotou o Concorde, pela British Airways, durante 22 anos. Como capitão sênior do avião Concorde da companhia aérea, ele comandou o último vôo comercial sobre Londres em outubro de 2003 e, posteriormente, o último vôo entregando o Concorde a um museu de Bristol, na Inglaterra.

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