Mulheres eleitas em prefeituras do país ainda têm avanço tímido

Dos eleitos para as prefeituras no primeiro turno, 12,2% são mulheres. Em 2016, elas eram 11,6%. Vereadoras representarão em média 18% das cadeiras no próximo mandato

O número de mulheres eleitas para prefeituras em todo o país no primeiro turno das eleições de 2020 superou o total de prefeitas que ganharam em 2016. O avanço foi bem tímido. Neste ano, elas representam 12,2% dos prefeitos eleitos na primeira etapa, entre as quais está Cinthia Ribeiro (PSDB), reeleita prefeita de Palmas, capital do Tocantins. Em 2016, as mulheres representavam 11,6% das prefeituras, segundo dados do TSE. Nas eleições passadas, somente uma mulher foi eleita prefeita de uma capital: Teresa Surita (PMDB), em Boa Vista (Roraima).

As eleições municipais deste ano foram as primeiras em que começaram a ser obrigatórias não apenas a cota de 30% de candidaturas femininas, mas também a reserva de pelo menos 30% dos fundos eleitoral e partidário para financiar candidatas e a aplicação do mesmo percentual ao tempo de propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão. Com o fim das coligações nas eleições proporcionais, cada partido – e não mais cada coligação – foi obrigado a reservar 3 em cada 10 candidaturas de vereador para mulheres.

Segundo o presidente do TSE, ministro Luiz Roberto Roberto Barroso, o país caminha, ainda que lentamente em um movimento de maior representatividade. “Temos andado na direção certa, ainda que não na velocidade que precisávamos na inclusão de mulheres e pessoas que se declaram pretas e pardas”, afirmou em coletiva de imprensa nesta segunda-feira.

Apesar das mulheres representarem mais da metade do eleitorado brasileiro (52,5%), as candidaturas femininas ficaram novamente próximas ao limite estabelecido pelas cotas. De acordo com os dados do TSE, do total de 556.033 pedidos de registro de candidatura, 186.144 foram de mulheres, o que corresponde a um percentual 33,48% muito aquém da paridade entre homens e mulheres desejável.

Em 2016, as candidaturas femininas foram 31,9% do total. O maior avanço das candidaturas femininas foi para ocupar o cargo de vice-prefeita. Em 2016, elas representavam 17,62% do total de candidatos ao posto de vice da chapa e, em 2020, pularam para 21,3%. Passaram de 2.988 candidatas para 4.200. Especialistas alertam, no entanto, que a utilização de mulheres no segundo posto da chapa é um movimento estratégico, já que o financiamento destinado à candidatura feminina (de 30%) acabe sendo utilizado, na verdade, pelo cabeça de chapa masculino.

As mulheres continuaram, nessas eleições, concentradas proporcionalmente nas vagas para vereadoras. Dentre todos os vereadores eleitos nas capitais brasileiras, as mulheres representam 18% das cadeiras das câmaras municipais, segundo dados compilados pelo Gênero e Número, portal de jornalismo de dados que enfoca questões de gênero. A capital com menor representatividade feminina foi João Pessoa, que elegeu somente uma mulher como vereadora e tem a menor proporção entre as capitais (4%).

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