Livro de Obama está dando o que falar

Barack Obama foi presidente dos Estados Unidos durante oito anos. No livro, fala de guerras e dos rumores de propinas bilionárias no governo Lula

Como todo bom ex-presidente americano, Barak Obama resolveu escrever um livro, contando coisas até então desconhecidas do público. Ele fala, por exemplo, de ter levado as filhas para conhecer o Cristo Redentor no Rio de Janeiro, e que rezou aos seus pés. Conta também que a ordem para invadir a Líbia, para derrubar Muamar Khadafi, foi dada por telefone celular, enquanto ele estava no Brasil em 2011.

Mas a pimenta do molho é quando ele descreve o que sabia do governo Lula: cativante e ambíguo em seus escrúpulos políticos. A presença do ex-presidente Lula no livro é bem mais marcante que a de Dilma. Publicamente, Obama sempre tentou demonstrar apreço por Lula. Em 2009, em Londres, durante um almoço entre líderes do G-20 (grupo de países desenvolvidos e em desenvolvimento), Obama afirmou que Lula era o cara e que o então presidente brasileiro era o político mais popular do mundo. Lula estava em seu sétimo ano na presidência e sua taxa de popularidade estava acima dos 80%. “É porque ele é boa pinta”, ainda brincou o presidente americano no mesmo evento.

Nas páginas de Uma Terra Prometida, a descrição de Lula surge de maneira mais disfarçada. A descrição do americano segue: “Ex-líder sindical grisalho e cativante, com uma passagem pela prisão por protestar contra o governo militar, e eleito em 2002, tinha iniciado uma série de reformas pragmáticas que fizeram as taxas de crescimento do Brasil dispararem, ampliando sua classe média e assegurando moradia e educação para milhões de cidadãos mais pobres. Constava também que tinha os escrúpulos de um chefão do Tammany Hall, e circulavam boatos de clientelismo governamental, negócios por baixo do pano e propinas na casa dos bilhões”.

Tammany Hall era o nome dado à maquina política democrata que dominou a cidade de Nova York por 200 anos, até meados do século passado, e cuja atuação virou sinônimo de corrupção, mas também de benevolência a imigrantes. Em outro trecho do livro, ao falar sobre o líder russo, Vladimir Putin, Obama recorre mais uma vez à imagem dos políticos da Tammany Hall, a quem descreve da seguinte maneira: “homens durões, calejados, frios, que se restringiam ao que sabiam, nunca iam além de suas experiências estreitas e consideravam os apadrinhamentos, as propinas, as extorsões, as fraudes e os ocasionais atos de violência ferramentas legítimas do ofício”.

Obama não explica a que se refere quando fala em propinas na casa dos bilhões, mas quando ele e Lula se conheceram o presidente brasileiro havia sobrevivido ao primeiro grande escândalo de corrupção a atingir seu governo, o caso Mensalão, que estourou em 2005. As quantias envolvidas no esquema de compra de apoio no Congresso eram muito mais modestas do que aquelas que surgiriam após as investigações da Operação Lava Jato, em 2014, quando Lula já havia deixado o poder. Obama sairia da Casa Branca menos de dois anos mais tarde.

Um novo olhar para os livros com a Troia Editora

A nova casa editorial dos brasileiros que nasceu na maior crise de saúde mundial promete ainda mais novidades para 2021 com o retorno de grandes clássicos da literatura

Será em 2021 que a Troia Editora, fundada no último trimestre deste ano em São Paulo, vai fazer um mega lançamento secreto que promete surpreender e movimentar o mercado dos livros. A casa editorial foi fundada pela atriz, produtora, escritora e empresária Fernanda Emediato, diretora executiva da Geração Editorial há 24 anos. “A editora nasce com a inspiração da própria aventura literária de Homero”, afirma Fernanda.  A conquista de Troia é contada por Homero (século VIII a.C.) no poema épico Ilíada.

A nova editora vai se dedicar a publicar livros clássicos que estão em domínio público, de autores nacionais e estrangeiros, sempre com diferenciais como tradução direta do idioma original, cadernos de fotos, apresentações e contextualizações. Com a proposta de levar ao mercado uma cuidadosa produção gráfica e editorial – seja em papel ou no formato digital, as novas tecnologias serão o grande diferencial da editora.

Além disso, os pequenos leitores serão agraciados com o selo infantojuvenil Troinha: “É uma proposta jovem, mas com a tradição da aventura literária como foi a conquista de Troia pelos jovens gregos”, ressalta Fernanda Emediato. Os livros prometem despertar a curiosidade e a reflexão, com alegria e diversão garantidas. Os livros do selo Troinha se voltam para a alfabetização e o desenvolvimento da linguagem das crianças. O objetivo é plantar valores importantes para os novos tempos, como igualdade social, autoaceitação e proteção do meio ambiente. “Por isso a Troinha é mais que uma editora: é uma vocação”, conclui.

Caminho de Santiago: do fim surgem novos começos

Em O Destino é o Caminho, o escritor carioca Ricardo Rangel mistura informação e observação, paisagens e pessoas, ideias, lembranças, risos e reflexão em uma viagem pelo Caminho de Santiago

Hipócrates dizia que caminhar é o melhor remédio. Para Thomas Jefferson, não existe nada melhor quando o objetivo é descansar a mente. Há quem diga o contrá­rio: andar é bom para fazer a mente funcionar. Aristóteles gostava de ensinar filosofia enquanto caminhava. Nietzsche afirmava que todas as grandes ideias são concebidas enquanto se caminha.

A visão desses grandes pensadores reflete uma premissa seguida por muitos homens ao longo da história: caminhar é preciso. E foi após a jornada por uma das principais rotas de peregrinação do mundo que o escritor carioca Ricardo Rangel traz ao público O Destino é o Caminho – Uma crônica do Caminho de Santiago, lançamento da Edições de Janeiro.

A partir de fragmentos da história particular do autor, o leitor passa a compreender o que leva milhares de pessoas a se deslocarem, todos os anos, para seguir um percurso de quase 800 quilômetros a pé. Para o autor Ricardo Rangel, a resposta, imprecisa antes da partida, estava na busca pela desconexão total de tudo e de todos.

“O Caminho de Santiago de Compostela era uma hipótese distinta. Para começar, era diferente de tudo o que eu já havia feito; uma experi­ência intensa de muitas maneiras, não apenas no sentido físico. Também me atraía o fato de ser um lugar onde não há, em absoluto, decisões para tomar: você acorda de manhã e anda sem nem sequer precisar pensar para onde, pois existem setas amarelas por todo lado apontando a dire­ção a seguir. Basta colocar um pé adiante do outro e deixar (ou não) o pensamento fluir. Além disso, dizia-se que as paisagens são belíssimas. Como se isso tudo fosse pouco, sempre há muita gente fazendo o Ca­minho, de modo que cada um tem a oportunidade de decidir — minuto a minuto — se quer solidão ou socialização”.

Ricardo iniciou o trajeto pelo Caminho Francês, o mais tradicional de muitos que levam a Santiago de Compostela e, por isso mesmo, um paraíso de peregrinos. Para ele – e os companheiros de viagem -, foram 42 dias de caminhada. Em alguns, chegou a percorrer 27 quilômetros; em outros dias, o cansaço e os calos nos pés exigiram uma pausa maior. 192 páginas – R$ 68 – link de venda: https://bit.ly/2DuFPrZ

Versos escritos na pedra

Em homenagem ao centenário de um dos maiores poetas do País, Poesia Completa, de João Cabral de Melo Neto, reúne toda a sua obra e mais de 50 poemas inéditos

É curioso constatar que, em um país com uma natureza tão exuberante como o Brasil, dois de seus maiores poetas tenham ido buscar inspiração nas pedras. No caso do mineiro Carlos Drummond de Andrade, “a pedra no meio do caminho” era um obstáculo, um acontecimento inesquecível que marcaria para sempre suas retinas tão fatigadas. Para o pernambucano João Cabral de Melo Neto, a pedra não foi um entrave, muito pelo contrário: foi um ponto de partida e um ponto de chegada. Seu primeiro livro foi Pedra do Sono; o último, A Educação pela Pedra. A atração do poeta pernambucano por tal metáfora vai muito além do significado literal. Há, sim, uma atração por sua frieza sólida e inerte, mas há principalmente uma admiração pela coisa indestrutível que resiste à corrosão e à morte.

“A poesia de João Cabral é anti-lírica, não aceita temas abordados por outros poetas, como as rosas, a lua. A rosa dele é a pedra, a lua dele é a pedra”, afirma Antonio Carlos Secchin, crítico, poeta e membro da Academia Brasileira de Letras. Secchin é o organizador de Poesia Completa, obra definitiva de João Cabral de Melo Neto que sai pela Alfaguara em comemoração ao centenário do escritor e diplomata, celebrado em 2020. Além de textos póstumos, seu conteúdo torna esse livro verdadeiro tesouro da literatura brasileira: há 53 poemas inéditos.

A responsável por esse resgate é a Edneia Ribeiro, professora que fazia pesquisas para sua tese no arquivo da Fundação Casa de Rui Barbosa quando encontrou o material. De acordo com Secchin, embora os poemas não estivessem datados, o material provavelmente foi produzido na década de 1980, época do lançamento do livro Agrestes. “São poemas de grande qualidade. Acho que o poeta não os publicou porque já estava menos empolgado com a produção literária e o problema da cegueira se agravava. Mas são poemas prontos, em forma definitiva”, diz Secchin. Além da perda da visão, outro problema que o afetou foi a dor de cabeça, tratada em diversos poemas, dentre eles no texto Num Monumento à Aspirina.

Poesia completa – João Cabral de Melo Neto – 896 páginas – R$ 154 / R$ 49 (e-book).

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