Câncer de peritônio e a importância do diagnóstico precoce

A notícia da morte de Dudu Braga, filho de Roberto Carlos, destaca novamente um raro tipo de câncer, de difícil diagnóstico – o câncer de peritônio

Aos 52 anos, o produtor musical estava em tratamento contra a doença que atinge a parte interna da cavidade abdominal e recobre órgãos como o estômago e os intestinos, reto, bexiga e útero. Toda essa camada é rica em vasos do sistema linfático, que funcionam como sistema de defesa do organismo.

​“O câncer de peritônio é classificado em carcinoma primário de peritônio e mesotelioma, quando se origina no próprio peritônio. São, no entanto, considerados raros”, explica Arnaldo Urbano Ruiz, cirurgião geral e oncológico, coordenador do Centro de Doenças Peritoneais do Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo. Não foi o caso de Dudu Braga, que teve o diagnóstico pela primeira vez em 2019, de um câncer de pâncreas.

“Nesse caso, a doença é denominada secundária, pois foi iniciada em algum órgão da região. Além do pâncreas, o câncer de peritônio pode ter início no cólon, ovário, útero, apêndice, estômago, intestino, mama ou endométrio, para então se disseminar para outros órgãos”, explica o médico.

Segundo Arnaldo, o câncer do peritônio pode ser totalmente assintomático. No entanto, dor abdominal, diarreia, náuseas, aumento da circunferência abdominal, ascite (fluído no abdômen), febre, perda de peso, fadiga, perda de apetite, anemia e distúrbios digestivos podem indicar a doença. “Na presença de um ou mais dos sintomas descritos, é muito importante procurar um médico para um diagnóstico preciso”.

O tratamento para um câncer varia muito conforme a localização do tumor, o estado de saúde do paciente e, também, o tempo decorrido entre o início da doença e o diagnóstico. A cirurgia é uma das possibilidades, que será avaliada pelo médico conforme cada caso. Sua complexidade varia, e pode ser alta em casos como o da carcinomatose peritoneal. Nesse caso, a cirurgia é extremamente agressiva e de alta complexidade, comparada a transplantes de órgãos.

Para a carcinomatose peritoneal é realizada a cirurgia de peritoniectomia (ou cirurgia citorredutora), com quimioterapia intraperitoneal hipertérmica. O procedimento consiste em retirar todo o peritônio doente e, se necessário, retirar outros órgãos e aplicar quimioterapia. Alguns casos de câncer de cólon e estômago, pseudomixoma peritoneal, câncer primário de peritônio e ovário também podem ser tratados com essa técnica. De acordo com o sítio primário de origem da carcinomatose, é realizada a cirurgia citorredutora e HIPEC. Porém, há casos em que apenas há indicação de cirurgia citorredutora sem HIPEC.

“Seja qual for o tratamento indicado pelo médico, é importante que seja realizado em centros com experiência nos procedimentos, localizados em hospitais referenciados, com uma equipe multidisciplinar especialmente treinada para estas situações. Além de UTI e centro cirúrgico devidamente equipados, são necessários, na equipe, cirurgiões, cardiologistas, clínicos, instrumentadores, anestesiologistas, fisioterapeutas e fonoaudiólogos preparados e habilitados para cuidar destes pacientes”, conclui Arnaldo.

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